Como o livro Extraordinário mudou a minha vida

sexta-feira, setembro 04, 2015


"Deveríamos ser lembrados pelas coisas que fazemos. Elas importam mais do que tudo. Mais do que aquilo que dizemos ou do que nossa aparência. As coisas que fazemos sobrevivem a nós."

Eu normalmente fico com receio de falar sobre um livro (assim como filme, série) que li há muito tempo, eu esqueço de tudo fácil demais, mas - como diria Divertida Mente - as memórias-base continuam alí firmes e fortes. Eu li Extraordiário (R. J. Palacio) em uma conexão no aeroporto, a leitura é fácil, leve, mas a mensagem muito profunda. O livro conta como é a vida de Auggie, um jovem que nasceu com uma síndrome genética que lhe causou uma severa deformidade facial, a narração é em primeira pessoa, de Auggie e alguns familiares e amigos.

"Eu gostaria que todos os dias fossem Halloween. Poderíamos ficar mascarados o tempo todo. Então andaríamos por aí e conheceríamos as pessoas antes de saber como elas são sem máscara."

O tom comovente, mas com alívio cômico, faz refletir sobre como reagimos a tudo que é diferente dos padrões que estabelecemos ou estamos acostumados. Pode parecer hipocrisia, porque eu sempre falei muito de boa sobre aparência, sou a primeira a falar das minhas orelhas de abano e tudo em mim que seja motivo de gozação, mas nem todo mundo é assim (e não há nada de errado nisso). O que é inofensivo para mim, pode ser a ruína de outra pessoa, especialmente quando trata-se de algo menos comum, como é o caso do livro. O bullying e o olhar de pena podem ter o mesmo peso.

"Mamãe e papai também não me acham comum. Eles me acham extraordinário. Talvez a única pessoa no mundo que percebe o quanto sou comum seja eu."

Para mim tem sido um processo entender isso, que cada pessoa tem os seus pontos sensíveis e é melhor não arriscar acertar um deles. Entender que não é difícil ser gentil. E quando puder escolher..

"Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil."

O desafio de Auggie foi conseguir entrar na escola, conviver e aprender como uma pessoa comum. Maiores ou menores, todos temos desafios e fica muito mais fácil quando podemos ser nós mesmos. Seja você, um hora terão que se adaptar.

"Para mim, porém, sou apenas eu. Um garoto comum. Mas, se quiserem me dar uma medalha por ser eu mesmo, tudo bem. Aceito. Não destrúí a Estrela da Morte nem nada parecido, mas consegui passar pelo quinto ano. E isso não é fácil, mesmo que você não seja eu."

Eu li no Kobo, mas o livro físico está só R$16,80 (set/2015) na Livraria Cultura. :)icon


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